Quem nunca se deparou com o aviso “esgotado” ao tentar comprar um livro? Pois bem, este recado frustrante, tão comum na vida dos consumidores, pode estar com os dias contados.
Isto porque antes de mergulharem de vez na onda dos livros eletrônicos, as editoras perceberam que têm pela frente um importante mercado a ser explorado: o de livros sob demanda. Com a queda no custo da tecnologia de impressão digital, tornou-se possível trazer este maquinário para dentro de casa, como fez o grupo Record.
Agora a empresa consegue imprimir lotes de até 700 exemplares por título, atividade considerada inviável no tradicional sistema offset, que para valer a pena em termos de custo requer tiragem mínima de cerca de 1 mil cópias. A companhia investiu €1milhão em duas máquinas para garantir a impressão das obras de baixa vendagem que, apesar de não estarem na lista dos best-sellers, são importantes para manter a variedade do portfólio da editora, atualmente composto por 7 mil títulos.
“Até pouco tempo atrás esta tecnologia era muito cara e ficava inviável ter este maquinário em nosso parque gráfico. O custo por página também era alto e a qualidade de impressão era baixa, o livro ficava com cara de xerox”, diz Sônia Machado Jardim, vice-presidente de operações do grupo Record. Sem a tecnologia, o livro de baixa tiragem era impresso nas máquinas de offse em uma quantidade maior do que o mercado conseguia absorver.
Resultado: ficava encalhado no depósito da companhia. “Era um processo arriscado pois os livros poderiam ficar durante anos no depósito e quando finalmente fossem vendidos estariam com cara de velho”, diz Sônia. Assim, para evitar prejuízo, outra alternativa era adiar o máximo possível a impressão dos exemplares. A obra poderia ficar 20 dias sem unidades disponíveis para venda, o que prejudicava a receita da companhia.
Este ano, cerca de 100 mil exemplares da categoria de baixa tiragem devem ser impressos pela editora. Antes de adquirir o maquinário, a Record perdia cerca de 30% desta venda. A empresa prevê fechar 2011 com faturamento de R$ 130 milhões, alta de 12% em relação ao ano passado. “Estamos investindo em livro eletrônico, a nova tendência do mercado, mas percebemos que ainda temos muito a ganhar com o livro tradicional”, diz Sônia.
Mas a grande maioria das editoras não tem parque gráfico próprio como a Record. Pensando nisto, os executivos da Ediouro criaram uma empresa, a Singular Digital, para fazer livros sob demanda para a própria editora e para o mercado. Criada em 2009, a empresa presta serviços para editoras como Campus, Rocco e Nova Fronteira. “Antes da criação da nossa empresa estas editoras já podiam imprimir sob demanda em gráficas. Mas a Singular oferece um plano logístico”, diz Newton Neto, diretor da Singular Digital.
A empresa viabiliza a venda dos títulos de seus clientes em sites de varejistas, atua como parceiro logístico entregando os pedidos no destino que a editora pedir, além de transformar os livros eme-books. No ano passado a Singular imprimiu 500 mil livros sob demanda e a previsão é quadruplicar este número.




